segunda-feira, 21 de julho de 2008

Obituário

Aquele amor bem que podia ter morrido de morte natural - feito aqueles velhinhos na cadeira de balanço, livro no colo, cabeça baixa. Deveria ter morrido pelo tempo - sem queixas, anestésicos, remédios e feridas. Mas não teve acordo! Foi preciso sedativo, soro, balão de oxigênio. Muito pronto-socorro, emergência e anamnese. Teve recuperação, adeus à UTI e nova internação. O amor morreu de exaustão. Sem tragédia. Nem cadeira de balanço. Não teve velório. Nem missa. Nem nada. Morreu assim: de madrugada, com o telefone desligado.

RAQUEL LEMOS

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